BLOG BOM À BEÇA
   

PEQUENA CRÔNICA ANUNCIADA

DE UMA (IN)CONTIDA BENGALADA

                            Anibal Beça

 

 

Sábado sombrio, de chuva escura renitente e depressiva. Dia para se ficar de molho na cama lendo jornais e revistas antigas. Nada de novo sob o sol. Uma ou outra novidade anunciada à maneira de Gabo.

 

 Com os braços cansados, olhos lacrimando, fatigados, páro a leitura para me entregar ao ócio de me embalar na rede (da WEB) com as palavras. Ah, esse ócio! A vida inteira me perseguindo como se eu fora um contumaz parceiro desse Pecado Capital atribuído aos baianos, aos nossos índios e caboclos. Bem haja, Santa Preguiça!

 

Essa pecha que, os do ramo, já acostumamos com os achaques de quem não foi tocado pelas bênçãos do Dom da criatividade, talento e carisma. Danado a incomodar quem nunca esteve sob a luz de gambiarras e ribaltas. Para estes, a resposta se dá pelo trabalho.

 

Trabalho duro, de mouro, afiando goivas e formões, aparando as lascas excessivas para a entrega da matéria macia e aveludada do poema, da prosa com sabor diferente para os olhos e ouvidos de muitos. Salve, salve leitor querido!

 

Dia desses, um burocrata menor, mas com alentada vontade de “chegar lá”, doido para tomar posse no palco do Teatro Amazonas, (aqui em nossa Província de Ajuricaba, desembargadores e governadores adoram luzes...) perguntou-me de chofre:

          

               “Anibal, quanto custa um poema?”

 

Calado e recolhido ao silêncio dos sábios, silêncio-música aprendido e apreendida ao som do satori-zen-budista no meu exercício diário de aprendiz de haijin apenas olhei-o.

 

Na gruta de muitos enigmas o poeta há de ter olhos ariscos, braços contidos, pernas avulsas para o vôo de meias-luas, inteiras com as do velho Pastinha. Salve mestre!  Salvou-se por pouco, o coitado burocrata, de minha atual terceira perna: a bengala. O que não faz a maturidade...

 

 



Escrito por Anibal Beça às 18h18
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 PÍLULAS DA VIDA

DO DOUTOR SARDOSS

     - pequeninas, adocicam, alfinetam,

       mas sem perder a ternura jamais. -

 

*Em meio à redação da croniqueta acima eis que me chega, de repente, “...não mais que de repente”  meu amigo desaparecido Christian Almeida. E chega com ventos dadivosos e novidadeiros. Enfim, seu disco solo, o primeiro, ficou pronto.

 

Chama atenção o título do CD: Para onde foi Haneman? (Assim mesmo, sem o outro H e o ene duplo) E, para os de fora, aviso: Não se trata de nenhuma homenagem ao pai da medicina homeopática. Mas, sim, do genial jovem pintor manauara Hahnemann Bacelar, desaparecido tragicamente.

Na verdade, para os íntimos, Rânima. Como assinou em alguns rascunhos, ou melhor raffs seus da última fase.

 

 

Digo logo por que do meu estranhamento: Christian é jovem e muitos poucos de sua geração  sabem de Hahnemann. Mas olhando detalhadamente para a capa decifro o motivo: Os traços são de Eli Bacelar. Mas Christian se adianta: “ Vc. sabe que sou amigo do Eli, mas a homenagem não se resume só a isso. Pelo que vi da obra de Hahnemann, as histórias que ouvi sobre ele, foram as razões que me levaram a lembrar sua memória. E isso antes de conhecer o Eli, seu irmão” .

 

No repertório de dez músicas, a maioria das letras e músicas leva a autoria de Christian. Apenas em 3: Peão rodado, Fibra de guerreiro e Como se começar, as duas primeiras de Orlando Farias (debutando como letrista) e a outra um poema meu muito bem musicado.

 

Aliás, todas as parcerias que tenho com os muitos irmãos compositores são felizes no resultado final. Todas, muito amadas por mim. Obrigado, meu mais novo parceirinho Christian Almeida. Desejo-lhe o maior sucesso. Você merece. Pela sua bondade, pelo seu bom caráter, pela sua inteligência e pelo seu talento.

 

 

O abraço musical e amigo do querido Orlando Farias

 

 

 

 

 



Escrito por Anibal Beça às 18h16
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   PÍLULAS DA VIDA

DO DOUTOR SARDOSS

     - pequeninas, adocicam, alfinetam,

       mas sem perder a ternura jamais. -

 

 
* O Conselho Municipal de Cultura (Concultura) em parceria com o ITEC está
 realizando desde ontem, (dia 18), na sede do Concultura (Rua rio Jutaí, 37
 Quadra 35) oficina para a confecção de projetos de acordo com as
 orientações da   PETROBRAS CULTURAL. As oficinas estão sendo ministradas
pelo prof. Carlos Araujo.
 *Notou-se, que a procura para as inscrições está sendo mais para possíveis candidatos resolvidos a atuar como produtor cultural do que artistas. E isso é muito bom. Afinal, o que os nossos artistas estão precisando é de agentes que cuidem de seus interesses e do marketing pessoal.

 

 

*Mas o Conselho insistirá oferecendo novas oficinas de empreendedorismo cultural para que os artistas caminhem com seus próprios pés, sem esperar somente pelas benesses governamentais. Saber confeccionar projetos observando as exigências de cada instituição patrocinadora como o MINC e o seu Mecenato.

 

*Manaus continua em ritmo crescente no setor editorial, aquecidíssimo, com várias revistas mensais de variedades já bem firmadas e, comenta-se, o surgimento de outras no segmento de turismo e de cultura ainda para este mês de janeiro.

 

*A melhor indicação artística, a pedida do final de semana, sem dúvida, é a peça de Sergio Cardoso “Mercedita dela Cruz”, com direção competentíssima de Chico Cardoso, a bela performance de Michel Guerrero no Teatro da Instalação, sábado e domingo, às 19:00 h. Vou lá conferir. Recomendo aos amigos que façam o mesmo.

 

 

              Diretor Chico Cardoso

*Perguntar é dever do cidadão. E o povo que sabe o que diz arremata: “... e não ofende”. Todos querem saber quando é que a gente do poder do “Patrimônio”, governos estadual e municipal mais a administração do Porto de Manaus vai chegar a um acordo com relação ao complexo dito da Booth Line.

É uma pena ver como está aquele belo conjunto arquitetônico. Se não cuidarem, logo logo vai ruir. E com essas chuvas... É por essas e outras que o escritor Marcio Souza e o senador Jefferson Peres têm feito denúncias através de suas colunas. Coloco-me também, junto com os dois pares acadêmicos, no rol dos indignados por força de tanto descaso e incúria com a nossa memória.

 

 



Escrito por Anibal Beça às 15h22
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TV UFAM – Ontem, zapeando pelas emissoras a cabo cheguei ao programa “Arte total” que iniciava tendo como convidado o GRUPO JACOBIANDO. Evidente que fiquei com essa programação produzida e dirigida pelo David Almeida. Primeiro para prestigiá-lo – o que se estende ao meu irmãozinho Guaraciaba Tupinambá e a competente âncora Márcia Vinagre - e, por que sei de longa data, do talento, do empenho e do cuidado dos dois band-leaders: Rosivaldo Cordeiro e Cláudio Nunes quando o assunto é música. E música boa.. Não me arrependi. A garotada que toca “choro” como gente grande, (não ficando nada a dever a grandes chorões Brasil afora), esbanjou virtuosismo e bom gosto na escolha do repertório.

 

 

 

 



Escrito por Anibal Beça às 14h37
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  • Gostei de ver Rosivaldo, preparado, discorrendo sobre a história de grandes nomes de nossa música popular. Só peço licença ao amigo para discordar do assunto Jacob Bitencourt, o do bandolim, versus Waldir Azevedo, o do cavaquinho, no que respeita a importância de cada um para o gênero choro. Ambos, geniais compositores e músicos. Não tenho fita-métrica (e nem quero ter) para medir quem é maior e melhor. Os dois freqüentam minha radiola, e estimulam beneficamente meus combalidos ouvidos. São só pequenos reparos para acrescentar mais “sabença” do assunto ao já adquirido pelo jovem amigo estudioso.
  • Não é verdade que Waldir era mais conhecido no Norte e, Jacob do Bandolim, no Sudeste. O primeiro, por inúmeras peças, sem falar da internacional Brasileirinho, era quase uma unanimidade alentada pelos ventos Cruviana e Minuano da Serra do Parima ao Arroio Chuí, respectivamente. O segundo, era imbatível nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo.

Reconhecido não só por ser um fabuloso instrumentista, inspirado compositor, mas, sobretudo, por que havia quem cuidasse muito bem de seu marketing pessoal, além de sua proximidade rumorosa aliás, com a grande Elizeth Cardoso, jornalistas com programas no rádio e televisão como Flavio Cavalcanti e, seu próprio filho, jornalista e compositor Sergio Bitencourt.

 

 



Escrito por Anibal Beça às 14h33
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Uma prova disso que ficou, é o cuidado com a sua memória A sua obra editada e gravada pelos Irmãos Vitalle. Já Waldir Azevedo, funcionário público teve que se mudar para Brasília quando o Rio deixou de ser a nossa Belacap. O que foi muito bom para o choro que ganhou novos ares. Brasília, hoje, não fica atrás, em nada, ao restante do país no quesito. Com festivais, clubes, programas de televisão e excelentes instrumentistas e compositores. Essa mudança de Waldir, e o tempo é quem fala, em nada obscureceu sua obra  já reconhecida, à época, mundialmente. Claro, que muita coisa composta por lá merece ser mostrada, hoje, para o Brasil inteiro.

 

Já estou na torcida, esperando pelo CD novo  JACOB VERSUS WALDIR, .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Anibal Beça às 14h30
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O CHORO DO JERÊ -  Fiquei alegre com a notícia de que, afinal, por iniciativa do Grupo Jacobiando, os choros e valsas do meu querido Jeremias de Moraes Dutra, o nosso maestro Jerê, estão sendo harmonizados  e partiturados. Podem contar comigo, como soldado dessa causa, para lutar pela gravação de tantos quantos cedês forem necessários para abrigar a sua imensa produção. Pela qualidade, que conheço, merece. E já tarda.



Escrito por Anibal Beça às 14h27
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AMAZÔNIA, GALVEZ  E COISA E TAL – A minissérie global, apesar dos índices de audiência, segue com a qualidade reconhecida da emissora dos Marinho. Em que pese a sacanagem com o Marcio Souza, a novelista Gloria Perez vai fazendo o que sabe ao gosto do povo, no tom de folhetim. E aí, meus queridos, não queiram exigir rigor histórico ao seu trabalho. A crítica não procede. Fala mais alto a liberdade ficcional  e o entretenimento. Não interessa se havia ou não o roadway, se o palácio do governo e o cabaré da Lola,  nos lugares mostrados no vídeo, não estejam corretos. Vale mais pela divulgação da cidade em termos turísticos. E nem foi preciso pagar como se tem pagado às escolas de samba.Melhor propaganda do que essa, de graça, é muita sorte.

 

Aliás, o nosso turismo anda devagar quase parando. Prometo que me debruçarei ao assunto.

 

Por hoje, e pra começar, em pleno domingo, já está de bom tamanho. Fui.



Escrito por Anibal Beça às 14h26
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